Os planos de saúde no Brasil passam por transformações significativas em 2025, com mudanças regulatórias, ajustes econômicos e inovações que impactam operadoras e beneficiários. Abaixo, as principais tendências e perspectivas:
1. Reajustes mais moderados após anos de alta
Após aumentos superiores a 40% em 2023 e 2024 para planos coletivos, a expectativa é de desaceleração:
- Planos coletivos: Reajustes entre 10% e 12%, abaixo dos patamares recentes.
- Planos individuais: Teto definido pela ANS deve cair ligeiramente, com projeção de 6,5% para 2025, ante 6,91% em 2024.
O alívio é atribuído à redução da inflação médica (para 9,4%-9,6%) e à melhora financeira das operadoras, que registraram lucro líquido de R$ 5,1 bilhões no primeiro semestre de 2024. Além disso, a sinistralidade (relação entre despesas e receitas) recuou para níveis próximos aos pré-pandemia.
2. Mudanças regulatórias em debate
- Limitação da coparticipação: A ANS propõe limitar a 30% o valor cobrado por procedimento e proibir cobranças em tratamentos crônicos e exames preventivos. Operadoras alertam que a medida pode elevar preços e reduzir acessibilidade.
- Reajuste de planos coletivos: A agência quer proibir o acúmulo de índices financeiros e de sinistralidade no cálculo de reajustes, o que operadoras criticam como “desequilíbrio econômico”.
- Portabilidade facilitada: Novas regras permitem troca de plano sem carência ou exigência de mesma faixa de preço se houver alteração na rede hospitalar.
3. Fatores que influenciam os custos
- Inovações tecnológicas: Incorporação de medicamentos de alto custo (como quimioterápicos) e terapias ilimitadas (psicoterapia, fisioterapia) pressionam despesas.
- Fraudes e judicialização: Prejuízos de R$ 34 bilhões/ano com fraudes e aumento de ações judiciais por cobertura de tratamentos impactam a sustentabilidade do setor.
- Custos corporativos: Estimativa de alta de 12,9% nos custos médicos para empresas em 2025, puxados por doenças crônicas e saúde mental.
4. Inovação e digitalização
- Sandbox regulatório: A ANS aprovou um ambiente controlado para testar modelos inovadores, como planos com coordenação de cuidado, visando eficiência e redução de custos.
- Telemedicina: A expansão do 5G e plataformas digitais deve integrar atendimentos remotos no SUS e no setor privado, especialmente para saúde mental e doenças crônicas.
5. Desafios estruturais
- Sustentabilidade financeira: Apesar da melhora, operadoras enfrentam custos com judicializações, fraudes e incorporação de novas tecnologias.
- Consolidação do mercado: Pequenas e médias operadoras podem ser impactadas por regras mais rígidas, com risco de fusões ou encerramento de atividades.
- Qualidade das redes: A ANS exige que hospitais substitutos tenham padrão igual ou superior ao descredenciado, pressionando operadoras a manter parcerias qualificadas.
6. Expansão e acesso
- Crescimento de beneficiários: A recuperação econômica e produtos mais acessíveis (como planos com coparticipação) podem ampliar a base de usuários, hoje em 51,4 milhões.
- Foco em prevenção: Modelos baseados em valor (pagamento por resultados) ganham espaço, alinhando incentivos entre operadoras e prestadores.
- Penetração: A saúde suplementar atingiu 51,5 milhões de beneficiários em 2024, mas o crescimento demográfico permanece estagnado desde 2014.
- Planos mais acessíveis: Operadoras buscam atrair novos usuários com reajustes menores e planos mais acessíveis.
Conclusão
2025 deve ser um ano de transição para os planos de saúde, com reajustes menores sinalizando alívio para consumidores, mas sem resolver questões estruturais como fraudes e judicialização. A combinação entre controle de custos, inovação regulatória e tecnologia será crucial para equilibrar sustentabilidade financeira e acesso à saúde. Enquanto isso, a ANS mantém papel central na mediação entre operadoras, hospitais e usuários.